Nilda Alves – depoimento

Nilda Alves

Membro da ANPEd desde 1982; presidente entre 1999-2003; atualmente, membro do GT 12 – Currículo      

                                                                          Nilda Alves

Quais foram as dificuldades enfrentadas para criação da ANPEd?

A ANPEd foi criada dentro de um movimento estimulado pelo governo federal, já no período da ditadura, mas a partir de uma recomendação de uma reunião da OEA, na qual esteve presente Santiago Dantas, então Ministro das Relações Exteriores, do Governo Jango Goulart. Como a Ditadura possui um projeto de nação – diferente das ditaduras de outros países, naquele momento – com base no desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia, a pós-graduação teve grande importância e precisava ser organizada. Foram organizadas reuniões em Brasília, chamadas pelo CNPq e CAPES para indicar a necessidade de organização dessas associações. Várias delas apareceram no mesmo momento: ANPOCS, ANPUH, ABA, ANPED e outras.

Naturalmente, isto deu condições para que o campo se organizasse e iniciasse a fazer reuniões anuais e outras (como a CBE, com o CEDES, a ANDE – não a ANDES que vai surgir depois – e o CEDEC). Essas reuniões sempre receberam apoio financeiro do CNPq, da CAPES e, às vezes, de outras instâncias do MEC, e algumas vezes, da Finep. A partir de 1978, com o começo do que foi chamado “abertura democrática”, as posições da Associação foram de participação na mesma, contribuindo na discussão da Constituição de 1988 e da LDB (Lei n. 9394/1986).

Oportunidades que fortaleceram a organização da rede /associação. (Quais oportunidades fortaleceram a ANPEd ?

Do ponto de vista organizacional, algumas iniciativas de sucessivas diretorias contribuíram no fortalecimento institucional da ANPEd. Indico, entre elas: 1) a criação dos GTs (na gestão da Glaura Vasquez de Miranda) fazendo com que a ANPEd passasse a Associação de Pós-graduação e Pesquisa criando o associado individual – é a única das associações criadas no período da ditadura que tem esse sócio ; todas as outras só possuem os associados institucionais (os programas de pós-graduação) ; 2) algumas vias de comunicação: o Boletim, criado desde a gestão de Julieta Calazans e bem estruturado na gestão Osmar Fávero; um Boletim maior, criado na gestão Nilda Alves; a Revista criada na gestão de Maria Malta; a página (site) criado nessa mesma gestão, mas ganhando maior amplitude na gestão de Nilda Alves e sempre modificada nas gestões seguintes, com excelentes ampliações quanto ao uso; 3) a democrática ampliação dos GTS, de modo a incorporar temáticas e organizações diferenciadas; 4) a criação do Comitê Científico, na gestão Alceu Ferrari para análise e aprovação dos trabalhos e pôsteres a serem apresentados; 5) a criação do FORPRED, na gestão Nilda Alves; o Concurso Negro e Educação, com financiamento da Fundação Ford, criado na gestão Maria Malta Campos e continuado na gestão Nilda Alves, que permitiu a introduçãoo desta temática na ANPEd e a formação de um GT; 6) o financiamento aos que apresentavam trabalhos e que existiu na gestões até a de Maria Malta

Externamente, muito contribuíram os financiamentos conseguidos, em especial, do CNPQ, CAPES, Fundações estaduais (em especial as de S. Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais).
Externamente, também, a ANPEd foi veículo de internacionalizaçãoo da área quando trazia convidados do exterior para as reuniões anuais e eles se deslocavam, antes ou depois dela, para alguns programas de pós-graduação.

A participação da ANPEd em comissões diversas da Capes, em especial para discutir as avaliações dos programas, contribuiu bastante para o desenvolvimento da área e, por consequência, da ANPEd.

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