Consolidada transição para fluxo contínuo da RBE

"A transição está consolidada", afirma editor da Revista Brasileira de Educação, Antônio Carlos Amorim, a respeito da transição da revista, iniciada no segundo semestre de 2017, para fluxo contínuo de artigos, com publicação avulsa e digital. Em entrevista Amorim fala sobre os impactos dessa mudança e a importância da revista na área de Educação no Brasil. Confira a entrevista na íntegra abaixo:

No segundo semestre de 2017 a RBE iniciou a transição para fluxo contínuo unicamente no meio digital. De forma geral, qual o impacto desta mudança? Podemos considerar que a transição está consolidada?

A transição está consolidada, pois neste ano de 2019 passamos a publicar artigos com maior agilidade. O impacto da mudança para o fluxo contínuo, com publicação avulsa e digital é notado pela ampliação do número de submissões, maior aderência às dinâmicas da ciência aberta, cuja rápida socialização dos artigos é uma das premissas, o incentivo à publicação bilíngue de um maior número de artigos submetidos em português, por autores brasileiros, além de podermos publicar um maior número de artigos devido à  diminuição dos custos pela ausência dos gastos de impressão.

Atualmente como estão organizadas as publicações da RBE?

Publicamos 1 volume/ano, desde 2018. Em 2017, embora tenhamos adotado a publicação avulsa, ainda foi mantida a organização em números. Nossa expectativa é de publicar até 50 artigos em 2019, incluindo o Dossiê ANPEd- 40 anos, com textos avaliados por meio de Chamada pública. Para os próximos volumes, nos anos subsequentes, devemos manter um número entre 40-45 artigos por ano.

A maior atualidade das pesquisas publicadas era outro ganho esperado com a publicação em fluxo contínuo, já podemos perceber este resultado? Quais artigos/temáticas por exemplo?

A RBE sempre recebeu artigos que trabalham temáticas de maior atualidade. A questão é que, antes do fluxo contínuo e da publicação avulsa, demorava-se mais tempo para que o artigo fosse publicado. Perdia-se, então, a oportunidade de sua circulação no 'calor da discussão'. Com o fluxo contínuo, já é possível notar um pequeno 'efeito cascata' na submissão de textos para avaliação que discutem temáticas afeitas aos artigos publicados a cada mês em um conjunto de 5-6 textos. Como o volume não é temático, desperta-se o interesse de autores de uma gama variada e múltipla de pesquisas com temas distintos e que escolhem a RBE para endereçar seus artigos. As temáticas mais recorrentes na submissão, e isso não quer dizer que seja na aprovação dos textos, são políticas públicas curriculares, políticas públicas de financiamento da educação, questões relativas às diversidades culturais, análises de projetos educativos do ponto de vista histórico, sociológico, filosófico, estético, etc., em regimes políticos conservadores ou em situações de golpes cívico e militares.  

Qual o impacto desta mudança no papel exercido pela RBE no âmbito da pesquisa e pós-graduação em Educação?

A RBE é uma das mais importantes revistas da área de Educação no Brasil. Atrai, também, interesses de autores de diferentes países da América Latina, Portugal e Espanha. A mudança para o fluxo contínuo e a publicação avulsa visa colocar a revista como uma das fontes privilegiadas de pesquisa e pós-graduação em Educação. Ou seja, que seja uma das revistas cujos textos são escolhidos para o diálogo, a interlocução e a discussão no desenvolvimento de pesquisas de mestrado, doutorado e de outras naturezas, e que derivem em artigos publicados em revistas que, preferencialmente, estejam nas mesmas plataformas e indexadores que a RBE.

Qual a expectativa para os debates sobre periódicos de Educação durante a 39ª Reunião Nacional da ANPEd?

Penso que o I Congresso Nacional de Editores de Periódicos em Educação (CONEPED) será um orientador importante para esses debates a serem pautados na 39ª Reunião Nacional. Como a RBE é uma das organizadoras deste evento, os temas pautados e as discussões sugeridas representam o que a nossa revista se propõe a pautar nos debates sobre periódicos de Educação.

A área da educação tem sofrido diversos ataques, assim como as universidades públicas e as pesquisas científicas realizadas nestas instituições. Qual a importância da RBE neste cenário? A RBE tem sido afetada?

O efeito direto que tivemos com o ataque às ciências humanas e às pesquisas foi a redução do financiamento público da editoração de periódicos. O fato de a RBE estar publicando, com agilidade, artigos submetidos e aprovados e que tratam de temas contemporâneos das políticas públicas brasileiras e/ou que tratam de assuntos em perspectivas históricas, sociológicas e filosóficas que nos fazem compreender os tempos presentes, ressalta a sua importância no cenário atual de resistência. Também a iniciativa de se abrirem chamadas públicas para Editais Temáticos posiciona a RBE em um lugar privilegiado para discutir e problematizar questões candentes. Destaquem-se as escolhas das entrevistas com autoras/es de artigos, cujas temáticas mais associadas às questões de interesse do público geral e especializado qualificam as conversas e posicionamentos, além de promover mais visibilidade e auxiliar na construção de argumentos.