Entidades da Educação se mobilizam a partir do FNPE por maior representatividade na equipe de transição do governo Lula

A executiva do Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE) se reuniu presencialmente nesta quinta-feira (10) em Brasília. O coletivo, formado por entidades científicas e de representação de professores e trabalhadores, reivindica um espaço ativo na equipe de transição do governo Bolsonaro para o governo Lula na área. “Já temos assegurado por parte do coordenador, Henrique Paim, que todas nossas entidades serão ouvidas para apresentarem o seu diagnóstico e a pauta principal para os 100 primeiros dias do governo Lula”, afirma Heleno Araújo, coordenador do FNPE - assista vídeo.

Acesse a nota pública do FNPE sobre a transição.

Segundo Geovana Lunardi, presidenta da ANPEd, desde a semana passada a Associação está articulada com as entidades que compõem o Fórum na discussão e acompanhamento da transição do governo na área da educação.

A ANPEd apresenta grande expectativa e otimismo com relação ao governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva para a Educação brasileira. Apesar de não integrar até o momento a equipe de transição, tem acompanhado de perto este momento. Os relatos das reuniões, sob coordenação dos ex-ministros Fernando Haddad e Henrique Paim, dão conta de um declarado compromisso com a defesa da educação pública, da creche à pós-graduação. Mesmo não tendo o intuito de gerar encaminhamentos nesta etapa, já foi sinalizada a necessidade de recomposição do Conselho Nacional de Educação (CNE), da luta por um Sistema Nacional de Educação, além de críticas ao novo Ensino Médio e a retrocessos de políticas públicas em vários âmbitos.

A composição desta equipe de transição para a pasta, no entanto, gerou inicialmente considerável desagrado na área. A lista de cerca de 50 pessoas que participaram da primeira reunião trouxe, sobretudo, representantes de fundações privadas, além dos próprios quadros do Partido dos Trabalhadores. Não estavam presentes nesta rodada nenhuma das entidades de pesquisa de Educação, assim como movimentos estudantis e sindicais. Segundo a diretoria da ANPEd, é preciso reverter este panorama, uma vez que a pluralidade e a representatividade da educação pública são algumas das principais bandeiras defendidas ao longo da campanha. Presente na reunião, a deputada Rosa Neide reivindicou oitiva do grupo junto ao Fórum Nacional de Educação Popular. 

Com histórico de diálogo produtivo junto ao MEC em diferentes governos progressistas, a ANPEd tem muito a acrescentar nesse momento de transição, pelo acompanhamento que faz sistematicamente das políticas públicas para a Educação (muitas delas desastrosamente interrompidas ou desmanteladas no governo Bolsonaro). No período eleitoral, a entidade elencou 71 pontos a serem considerados por candidatos e governo eleito para a Educação, fruto do olhar de pesquisadoras/es em 23 Grupos de Trabalho. Com isso, a equipe de transição estaria amparada num real diagnóstico da Educação brasileira, que abarca não apenas questões de gestão e financiamento, mas também de Educação especial, formação de professores e Educação infantil.  

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