Pesquisa revela pluralidades da juventude brasileira; projeto conta com coordenação e participação de associados da ANPEd

O que pensa o jovem brasileiro sobre política, religião, família e outros temas do nosso dia a dia? Quais são seus maiores medos e preocupações?

Para responder a essas e outras questões, a Fundação SM, por meio do seu Observatório da Juventude na Ibero-América (OJI), e em parceria com pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e da Universidade do Estado do Rio (UERJ) lançam, nesta sexta-feira (8/10) a “Pesquisa Juventudes no Brasil 2021”, um documento que analisa as percepções e realidades dos jovens brasileiros, com foco na participação sociopolítica, valores, autopercepção, perspectivas de futuro, cultura, religiosidade, migrações, diversidade, igualdade de gênero, além do impacto das tecnologias nas relações e nos hábitos de consumo.

A pesquisa teve coordenação do associado Paulo Carrano (UFF) para a etapa Iberoamericana no Brasil. O projeto contou com pesquisadoras e pesquisadores da UFF, UERJ e UniRio, incluindo pessoas associadas à ANPEd: Ana Beatriz Pinheiro e Silva Ana Karina Brenner Anna Peregrino Levy Diógenes Pinheiro Eliane Ribeiro Evelyn de Souza Lima João Pedro da Silva Peres Juliana de Moraes Prata Maria Pereira Miguel Farah Neto Mônica Peregrino Paulo Cesar Rodrigues Carrano Regina Novaes Viviane Penso. 

“Essa pesquisa nos apresenta dados significativos que nos permite compreender as preocupações, os interesses, as motivações e as principais dificuldades que os jovens brasileiros enfrentam, para – a partir desse ponto de partida, baseado no cuidado e na empatia – podermos acompanhá-los, criando entornos e ambientes propícios para o pleno desenvolvimento dessa fase tão importante da vida”, afirma Mariana Franco, gerente da Fundação SM.

Entre os resultados apontados, destaca-se o grau de importância da família, das condições de saúde e educação e o desprestígio com a política. De acordo com a pesquisa, 60% dos jovens não consideram as discussões políticas algo vultuoso no dia-a-dia. Também são no campo político os maiores índices de desconfiança nas instituições: 82% dos jovens ouvidos não confiam nos partidos políticos, Congresso Nacional (80%), governo (69%) e Presidência da República (63%). Para 73% dos entrevistados, é em casa, com a família, onde são ditas as coisas mais importantes.

Felicidade e lealdade

O estudo mostra também que a característica que mais identifica os jovens é a de serem “preocupados demais com sua imagem” (44%), seguida por “rebeldia” (42%). Valores como solidariedade, tolerância e generosidade estão em baixa entre os entrevistados, e quase um terço deles afirma viver focado unicamente no presente. A tristeza, depressão e ansiedade marcam o grupo de entrevistados, pois apenas um quarto (25%) acha que ser alegre ou feliz caracteriza a juventude. E somente 19% dos jovens ouvidos se consideram leais às amizades.

A mulher no mercado de trabalho

A pesquisa também abordou a diferença entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Para 55%, os salários das mulheres são piores do que o dos homens e 50% acreditam que é mais difícil para as mulheres arranjar emprego. Sobre o crescimento profissional, 47% dos entrevistados consideram ser mais difícil para as mulheres obterem uma promoção e quase metade (48%) crê que a presença das mulheres em cargos de responsabilidade e de poder político é bastante rara. Quanto ao acesso à educação, 69% dos pesquisados acreditam que, nesse campo, há igualdade de condições entre homens e mulheres, e mais da metade (56%) acreditam que ambos os sexos têm as mesmas oportunidades de seguir estudando.

Educação

A “Pesquisa Juventudes no Brasil” também traçou o perfil da escolaridade dos jovens. Mais da metade dos entrevistados estão cursando o Ensino Médio, e 12,8% apontam como nível de escolaridade o ensino superior e de pós-graduação. É significativa a presença daqueles que indicam o Ensino Fundamental, correspondendo a mais de um terço da amostra (34,4%).

“Apenas trabalho” é a atividade mais frequente entre os homens (39%) do as mulheres (22%), e a proporção de mulheres que não estudam nem trabalham (19%) é mais que o dobro do percentual de homens (9%) na mesma condição. Nesse recorte, os mais pobres são maioria, diferentemente daqueles que só estudam, predominante somente entre os grupos socioeconômicos alto e médio. Os jovens entrevistados frequentam, majoritariamente, escolas de Educação Básica públicas. Entretanto, no ensino superior predomina a frequência em instituições privadas, que equivalem a 73% do total, sobre as de dependência pública, que correspondem a 27%.

Jovens conectados

A pesquisa apontou que 96% dos jovens brasileiros entrevistados declaram recorrer à internet para fins variados, como o uso de mídias sociais, aplicativos de músicas ou vídeos, troca de mensagens e buscas de informação. O telefone celular é o equipamento mais utilizado pela juventude do país para a conexão com a internet (94%), seguido de computadores (4%). TV e tablet alcançam, cada um, 1% dos usuários

O estudo também mostrou que os jovens dos grupos socioeconômicos mais altos acessam diariamente a rede, na ordem de 97%, enquanto 74% dos que se encontram em situação de pobreza o fazem.

Religiosidade

No conjunto dos entrevistados que se consideram religiosos, há mais mulheres do que homens. Dos 68,33% que responderam ter religião, 36,86% são mulheres e 31,47% são homens. Já entre os 30,67% que não se consideram religiosos, os homens são 16,28% e 14,29% mulheres. Os católicos só são maioria entre os jovens mais velhos, cedendo esse lugar para os evangélicos em todas as outras idades.

Medos

A segurança (ou a falta dela) também foi abordada pelo estudo. 49% dos entrevistados disseram sentir medo “quase o tempo todo” de ser assaltado no transporte ou no caminho para casa ou trabalho. Os outros medos destacados pelos jovens foram: da destruição do meio ambiente (47%), de não ter trabalho no futuro (40%), ser atingido por bala perdida (37%), ficar endividado (34%), sofrer violência sexual (29%) e perder o atual emprego (23%).

O que mais incomoda?

A corrupção aparece como o maior incômodo para 62% dos entrevistados. O quesito “racismo, machismo e outras formas de opressão” ficou em segundo lugar, com 57%; já “a desigualdade entre ricos e pobres” e “acesso e qualidade da saúde” receberam, cada, 54% das menções.

Sobre a Pesquisa

Coordenada pelo OJI, a pesquisa é a seção brasileira de uma investigação mais ampla em nove países ibero-americanos. Além do Brasil, o estudo foi realizado em Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, México, Peru e República Dominicana. Foram entrevistados pessoalmente 1.740 jovens, entre 15 e 29 anos, residentes nas cinco regiões do Brasil.

Elaborada no segundo semestre de 2019, a pesquisa retrata justamente o momento que antecede o início da pandemia provocada pela Covid-19, e pode ser considerada um marco na transição dos jovens brasileiros, trazendo à tona dados que já eram preocupantes e que foram intensificados com as restrições, tais como o fechamento das escolas, a falta de acessibilidade para acompanhar atividades remotas, o aumento do desemprego e os impactos na saúde mental.

Os autores e autoras da pesquisa são pesquisadores especializados em investigações sobre a juventude. Mariana Franco afirma que a publicação foi concebida para servir como material de apoio e inspiração para instituições, educadores e todas as pessoas que atuam com processos educacionais e com o desenvolvimento integral dos jovens brasileiros.

Os jovens pesquisados são 51,5% do sexo feminino e 48,5% do sexo masculino. 40% se consideram brancos, 39% pardos, 17% pretos, 2% amarelos, 1% indígena e 1% não respondeu. Além disso, 78,4% disseram ser solteiros, 20,4% se declararam casados (formalmente ou não) e 1,2% é de separados ou viúvos. 67,5% declaram não ter filhos e, dos 32,5% que têm, um terço (10,9%) são mães ou pais solo.

Faça download do Resumo Executivo da Pesquisa_Juventudes_no_Brasil e confira as principais conclusões da Pesquisa Juventudes no Brasil

Leia na íntegra a “Pesquisa Juventudes no Brasil 2021” no site do Observatório da Juventude na Ibero-América

Assista ao evento de lançamento da Pesquisa Juventudes no Brasil 

 

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