Manifestação do GT 21 sobre ação da Fundação Cultual Palmares no dia 13 de maio

O Grupo de Trabalho Educação e Relações Étnico-Raciais da ANPEd (GT 21) manifesta considerações sobre a ação da Fundação Cultual Palmares, que no dia em que passaram-se 132 anos da abolição da escravatura no Brasil carrega um conjunto de textos opinativos em sua página oficial sobre o significado da data e de personagens históricos brasileiros. O que se vê é uma disputa não pelo passado histórico, mas pelo presente. Trata-se de questionar o que significa um país que narra a si mesmo como um território constituído pelas mais diversas violências cujos efeitos são cotidianamente visíveis, do que um povo é capaz de produzir quando conhece a sua história, que entende o que o forjou e como isso orienta sua ação.

Os que se viu nessa ação da FCP é uma tentativa de mobilizar outra narrativa sobre o Brasil, dos modos como serão elaborados os genocídios e violências que atravessam a nossa historia. Refere-se ao impacto dessa narrativa na dimensão das nossas experiências dos acontecimentos, personagens e lugares. Essas esferas fazem referência às experiências vividas, como artefatos que organizam os fatos e mobilizam nossas ações. Assim, é do presente que nós estamos a nos debater, da mobilização que fazemos no tempo histórico do que se conserva e do que é ativado quando é necessário. 

Há um provérbio akan que diz “não é errado voltar atrás e buscar o que você esqueceu”, desse provérbio deriva a palavra Sankofa que no interior da escrita africana adinkra é imageticamente traduzida pelo ideograma de um pássaro mítico que voa para frente enquanto olha para trás com um ovo em sua boca que simboliza o futuro. Esse provérbio mobiliza o movimento de lembrar/esquecer que habita a gênese da aprendizagem histórica que opera não apenas o que, mas como devemos lembrar, esquecer e narrar a nossa história. A experiência da população negra marcada pelo sofrimento, atravessada pela morte e pela resistência propiciou a invenção de outros laços de pertencimento. Essa população que ascendeu aos bancos universitários, que tem construído narrativas positivas sobre si, que produz uma estética e cultura, que escolhe todos os dias a vida e a luta contra a morte não esmorecerá frente a generalizações sem base científica. É na afirmação histórica do presente que mobilizamos nossa relação com o passado e hoje é mais do que fundamental afirmar nosso compromisso com a construindo de uma sociedade justa com o afirmou Luiza Bairros de dar continuidade a uma história iniciada por muitos antes de nós. 

 

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